segunda-feira, 24 de maio de 2010

clara brito amanhã(terça) na flor do horto































Amanhã (terça 25) tem Clara Brito com sua personalíssima e seu esplêndido repertório no bar Flor do Horto, ali na Alberto Lamego, a partir das 21:00h, para sacudir a pasmaceira dessa canibália city.

Mundaneidade
para waly Salomão, em memória

abro o corpo ao que lhe é próprio
ao mundo e seus resíduos tóxicos
ao ópio perfurando pregos no cérebro
aos vícios que reviram o branco dos olhos
às fumaças que pintam de vermelho o teto das ruas
às ficções que rompem o casulo larvar da imaginação
reergo as dobras, os ossos, os canais circulatórios
as glândulas, as fibras musculares que sustentam o eu mínimo

já não há nada entre alheio e próprio
e as certezas foram varridas para fora do mundo
sou amigo do caos
penetro nos horizontes pelas janelas fechadas
pulo parapeitos para que venenos mordam meu corpo
que a tudo se acopla
sou amigo do caos e bebo fogo na taça do mundo

cansanção, arruda, guiné, daime, comigo-ninguém-pode
me protejam da antivontade do olho gordo, da urucubaca,
da inveja

que mói e cola as entranhas ao ego
delirante, meu corpo se rende
ao afeto despedaçado das casas e ruas
e rejeita o bom-mocismo da escrita com “missão a cumprir”
de “missão” só a demissão dos papéis prontos

e que o poema continue metonímia da pele
que raspo com gilete toda manhã (à maneira de Horário poetar)
e coço forte quando sinto cheiro de repetição

Sandro Ornellas
Do livro: Trabalhos do Corpo e Outros Poemas Físicos
Letra Capital – 2007
Contato: e-mail ssornellas@gmail.com
http://simuladordevoo.blogspot.com

Depois de uma noite de sexta super agitada, estrada fulinaíma blues poesia lá por Macaé atlântico afora , o sábado nos reservou a alegria de poder ser testemunha da festa sonora no Espaço da Bola, com os Avyadores do Brazyl, Luizz Ribeiro, Sérgio Máximo, Sérvulo Sotto e Júnior, além da participação especialíssima de Clara Brito. Além ainda da linda galera presente auxiliando sol a iluminar a mágica tarde de 22 de maio.

Domingo é para se ouvir música que faça bem aos ouvidos e ao coração, que não firam os tímpanos, dessas que não tocam mais na mediocridade dessa idade mídia. Gal Costa, Carlos Careqa, Marco André, Zeca Baleiro, Capital Inicial, Marko Andrade, Celso Blues Boy e Simone Almeida, preencheram minha manhã antes do futebol.

Hoje recebo direto de Salvador, presentes memoráveis do meu amigo Lima Trindade, o seu magistral Todo Sol mais o Espírito Santo, um livro de contos de tirar o fôlego, e Trabalhos do Corpo e Outros Poemas Físicos do brasiliense também radicado em Salvador, Sandro Ornellas, agora é devorá-los e depois re-inventar metáforas.

canibália city 1
poema anti metafórico

maria da penha
olha o namorado
:
pega mata e come
:
e não consegue
matar a própria fome



brazilíricas

um tapa no branco
tragado no preto
como instante opus
ópio de pessoa
como fiapo de manga
entrelaçado nos dentes

black Billy

ela tinha um jeito gal – fatal vapor barato
toda vez que me trepava as unhas com um gato
cantar era seu dom
chegava a dominar a voz feito cigarra
cigana ébria vomitando doses do seu canto

uma vez só subiu ao palco
estrela no hotel das prateleiras
companheira de ratos na pele de insetos
praticando a luz incerta no auge do apogeu

a morte
não é muito mais que um plug elétrico
um grito de guitarra – uma centelha
logo assim que ela começa
algo se espelha
na carne inicial de quem morreu
?

Arturgomes
http://artur-gomes.blogspot.com/

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