sábado, 22 de janeiro de 2011

Monopólio do brasileirão: parece só futebol, mas é o controle da audiência em jogo







A Globo detêm o monopólio do futebol e teme perdê-lo em 2012


Este ano será feita a negociação para a venda dos direitos televisivos do campeonato brasileiro de 2012 a 2014 para a TV . A Globo sempre teve exclusividade sobre o maior e mais valioso produto da TV aberta brasileira. Estima-se que o contrato atual seja, aproximadamente, de R$ 500 milhões por ano, a Globo tem os direitos sobre as transmissões dos jogos, em TV aberta, mais Sportv e PFC. A Band é "sócia" minoritária do empreendimento e transmite os jogos no horário que a Globo determina.

Apesar dos altos valores envolvidos e a queda dos índices de audiência nos últimos anos, o retorno publicitário tem compensado o alto investimento. Ocorre que a audiência do futebol puxa a audiência de toda a programação esportiva da emissora carioca, que, por tabela, ajuda a divulgar toda a grade da Globo, com flashes nos intervalos e especiais durante a transmissão.
O valor pago pelos direitos de transmissão do campeonato brasileiro está subvalorizado e a Globo sempre consegue exclusividade por dois motivos principais, entre tantos outros:

Cláusulas lesivas, o famoso direito de preferência da Globo sobre seus concorrentes, o que equivaleria ela ter o direito de saber quanto seus adversários estariam dispostos a pagar e equiparar a proposta e vencer. O CADE derrubou estes ítens danosos a concorrência leal e transparente para as negociações deste ano;

A Globo sempre aliciou os clubes, via Clube dos 13, através de adiantamentos de verbas do ano posterior e, desta forma, não sofrer "resistências" nas negociações seguintes. Quer dizer, quanto mais endividado e desorganizado o futebol brasileiro, melhor para os interesses "globais".

Este ano, com a mudança das "regras" pelo CADE, a Record se assanhou pela disputa e estaria disposta a pagar cerca de R$1 bilhão por ano de contrato. A Globo estremeceu e já avisou que não fará "leilão" pelas transmissões do futebol e que, segundo seus estudos, o reajuste justo do contrato seria de cerca de 40% sobre os valores vigentes, ou cerca de R$700 milhões ano.

Até aí tudo bem, ela pode dizer qual é o seu limite, mas não pode estender seu entendimento sobre o tal limite, em um sistema de concorrência, para os detentores do produto: o Clube dos 13.

Mas o fato é que setores do órgão que defende os interesses dos 20 maiores clubes de futebol do país, crê que mudar de emissora seria ruim para os interesses dos clubes e dos patrocinadores, por causa da audiência atual da Record...Outra parte entende que competir e vencer pela melhor proposta seja o mais correto para os interesses dos clubes.

O que soa estranho nisso tudo é que a Globo diz que seu teto é R$700 milhões e parte do clube dos 13 já parece aceitar tal proposta, sem disputa, mesmo sabendo que a Record pode pagar até R$1 bilhão de reais...Parece piada (de mau gosto), mas agora aceitariam ganhar menos, quando podem ganhar mais...

O que se parece isso? A Globo parece estar agindo nos bastidores, possivelmente, ameaçando clubes que sempre receberam adiantamentos e, também, retaliações de marketing sobre o campeonato transmitido em outra emissora. Uma guerra platinada contra o campeonato brasileiro. Suposição...Mas bem plausível.

Mas qual seria o medo de perder o "monopólio do futebol"?

A Record poderia transmitir os jogos em outros horários, diferente dos atuais. Especula-se jogos as quartas e quintas-feiras as 20h30 ou 21h, ou seja, durante os programas de maior audiência da Globo: JN e novela das oito. Poderia ser um estrago irreparável para a emissora do Jardim Botânico. A Record poderia arrecadar um volume enorme com a venda de cotas publicitárias e reinvestir em sua programação e formação de casting de alto nível. Por outro lado, a Globo perderia enorme recurso financeiro e teria que se apertar com orçamentos cada vez menores.

Tá aí o grande temor e o verdadeiro objetivo da disputa: a disputa pela audiência geral!

A Record transmitirá com exclusividade os jogos panamericanos de 2011 e as olímpiadas de 2012 e desta forma vai formando seu público esportivo, cativando uma audiência vidrada em esportes olímpicos, mas o futebol é o grande produto ainda a ser conquistado.

Já há quem proponha uma "solução": a transmissão compartilhada, o que poderia ser considerado uma derrota para ambas, em diferentes níveis, a meu ver. A Globo perderia por não ter mais exclusividade e por ter que dividir, em plataformas mais justas, a verba publicitária direcionada ao futebol. A Record também perderia pois entende ter capacidade de derrotar a Globo e ter a seu favor o direito de exclusividade, explodindo sua audiência e ameaçando, de fato, a liderança da adversária. Mas neste caso a derrota maior seria para a Globo...


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