quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

remix 1973




mil novecentos e setenta e três. cacomanga lá distante makondo desses nossos trópicos bola de gude bola de meia bola de vidro bola de couro pique esconde bandeira jogo de amarelinha pipa papagaio primeiros passos futebol tapera velha aldeia depois da manga chupada na boca de jardinópolis carlota percebe a espada lavrando o pomar de brókolis a pá/lavra arma rente à pele contra o muro eu te grafito no escuro o dia em que o meu cavalo resolveu pintar as cores da bandeira tipografia da fala cardiografia da pele ao batizarem-te deram-te o nome meu coração galopa pelo campo afora no dorso dos poemas na pele das esporas poeta que é poeta sabe que fazer poesia não é mole difícil é passar pela vida sem cometer poesia comoção lírica todos nós temos posto que a tua profissão é abrir-te em camas e dar-te em ferro ouro prata rios peixes minas mata salgado mar de fezes batendo nas muralhas salve lindo pendão que balança meu coração é tão hipócrita que não janta o sonho rola no parque o sangue ralo no tanque nada a ver com tipo dark e muito menos com punk meu vício letal é baiafro com ódio mortal de yank só desfraudando a bandeira tropicalha é que a gente avacalha na sala ficaram restos de pratos espalhados pelo chão pedaços do corpo retidos entre o corredor após o interrogatório um cheiro forte de pólvora e mijo misturados a dois ou três dias sem banho depois de feito sexo só o fogo exalando odor e raiva quando em verde conspiravam contra nós em são cristóvão o gasômetro vomitava um gás venoso nos pulmões já cancerados nos quartéis da cavalaria náuseas nojo asco quando as botas do carrasco bateram nos meus ombros com os cascos com o nome do bandido atrás dos tanques e a gente ali comendo estrumes engolindo em seco as feridas provocadas por esporas agüentando o coice o cuspe e a própria ira dos animais de fardas batendo patas sobre nós a carne em postas sobre a mesa o couro cru a carne viva suor o cio o coração o desespero o sangue fluindo pelos poros quero um poema que revele poesia em sua pele azuis são os teus olhos a cor dos pêlos não conheço teus seios ainda não toquei dracena é uma terra roxa naves extra/terrena que humanos não decifraram pequena vagina virgem onde os dedos ainda não entraram e os cachos de uvas apodrecem nos teus dentes com um cheiro de leite ardente esguinchando na distância clichê chapa de zinco bola na rede gol de letra gol de placa um toque de classe dible no zagueiro lençol dentro da área é pênalti jordan e coronel bonecos do mané garrincha família portuguesa sardinha gomes da costa abreu do nascimento navio naufragado no pontal não não bastaria a poesia de algum bonde que despenca lua nos meus cílios num trapézio de pingentes onde a lapa carregada de pivetes nos teus arcos ferindo a fria noite como um tapa vai fazendo amor por entre os trilhos pasto no cosmo a soja secular de Jardinópolis onde os discos voadores sobrevoam meu nariz na cara das metrópolis não não bastaria a poesia cristalina se rasgando o corpo estão muitas meninas tentando a sorte em cada porta de metrô e nós poetas desvendando palavrinhas vamos dançando uma vertigem no tal circo voador no centro ao sul os cemitérios possuem mais mistérios que a nossa vã filosofia não bastaria todo riso pelas praças nem o amor que os pombos tecem pelos milhos com os pardais despedaçando nas vidraças e as mulheres cuidando dos seus filhos tem um animal de vagina espacial na poesia não não bastaria delirar copacabana e esta coisa de sal que não me engana a lua na carne navalhando um charme gay e um cheiro de fêmea no ar devorador aparentando realismo hipermoderno num corpo de anjo que não foi meu deus quem fez esse gosto de coisa do inferno como provar do amor no posto seis para rimar joice com foice é preciso acento circunflexo e depois acento agudo se não fosse assim então seria ulysses em noites de baseado no sótão dentro da galeria numa cósmica e profana poesia entre as pedras e o mar do arpoador uma mistura de feitiço e fantasia em altas ondas de mistérios que são vossos sacramentos na gramática poema não matemática não não bastaria toda a poesia que eu trago em minha alma um tanto porca este postal com uma imagem meio lorca um bondinho aterrizando lá na urca e esta cidade deitando água em meus destroços pois se o cristo redentor deixasse a pedra na certa nunca mais rezaria padre nossos e na certa só faria poesia com os meus ossos meu coração vadio quando está no cio faz comício em seu quintal vai pro bar e bebe o rio e canta um hino nacional falasse fruta fel falar falando fatos não rompe com a métrica com a rima mas não cai na poesia convencional isso é um poema ou é uma navalha mas muito menos significa que se deixa envolver com facilidades no espaço em que faz zunir e reluzir sua palavra sonora e musical aljava estojo de flechas pendente no ombro utilizado por índios ou arqueiros fedra margarida a resolvida desfilava pela última vez portando falo decidira decepar o pênis e desnudar de vez a sua outra mulher brazílica amanheceu incrédula mancehetes vozerios falatórios assembléias faixas cartazes por todas as vias multivias multimeios os ofendidos habitantes brazilíricos inconformados com a fedra voziferavam não ao sim e margarida flor impávida lá foi beira mar olhando estrelas no cruzeiro e césar que não é castro continuou a pigmentar seu mastro do outro lado da tela e um dia Fedra sorrindo com o pênis baton na aboca ao boca de luar da Fedra e voltou com o luar na boca acera da poética o poema dentro da poesia no interior do poema cada lugar em sua coisa cada coisa em seu lugar a cigarra que cantava em minha casa de solidão morreu no trampo perdeu elis não tem mais casa no campo falo feliz falo fogo falo festa a minha pele de drama difama a comédia do erro grito teu nome na rua do aterro no flamengo clamo a ossatura do mito ou será que o poema é apenas palavra incompleta aí no teu rio grande às vezes vago no outono onde aqui agora é ou será que o sentido não tem posse fosse assim jiddu e a mala da fama valeria muito mais que qualquer quantos fossem outros numa viagem em torno de tanussi e seu teatro de sutilizas visto que beleza não tem nome muito menos ética e no cerne da poética ou no grifo da gramática o olho de fora é o que menos vê quando muito olha o de dentro é o que fala ou será que cada letra em seu avesso deste alfabeto que não cala sem fim meio começo onde o nada é pop e tudo vasta se a caligrafia ficou gasta ou criar a linguagem que nos resta ou morrer no olho do centro de uma bala com a alma exposta na venda fevereiro pensando flávia março gritando amanda acelerador fundo no poço poesia na flor do osso como uma colcha de renda celulose folha no mangue para oxum uma oferenda na veia um rio de sangue pedra da gávea me anda redentor braços abertos de costas para o finito de boi pintadinho me visto muito além da mesa posta fruta fendida fervilhando felas fevereiro falação falasse
todo poema tem dois gomes toda faca tem dois gumes macunaíma ilumina o lobisomem na selva de new york ah meu amor não te esqueci ainda procriando no meu sangue os micróbios do teu corpo enlouqueci quando meto pés em tuas matas selvagem índio pássaro animal cinco horas tentando abrir a imagem da capa rodrigo me pergunta o que é que a sua poesia tem de surrealista eu não sou zen muito menos zhôo nem tão pouco zapa nem ando na contra capa do teu disquinho digital nadar por sobre o peixe dos teus olhos e mergulhar as profundezas do teu útero um homem de saia preta com o usineiro do lado dá hóstia para os famintos e vinho pros flagelados ali nasci minha infância era só canaviais ali mesmo aprendi a conhecer os donos de fazenda e odiar os generais quatro sete quatro jacaré leblon ferida exposta ao presidente governo não é poder sob os céus de brasília o cheiro do canal campos macaé fede a fezes pura aprovada a sentença de morte de amina cristiane escreve as musas de Ignácio a mesma língua fala quando deitamos palavras duras a vida crua sobre o corpo do texto e do teu poema com quantos silêncios cada vez mais musicais e ritmados sem armas brancas ou de fogo ambos estão presentes o tempo todo sem que se possa dizer só olho ana a vera faça outono ou primavera em carnaval meu olho disse entre a pele e a flor no asco com meia sola no sapato o meu vapor mais que barato industrial e infonáutico entre o couro de zinco e o cabelo mar de indecifrável plástico por entre o bronze do teu pêlo entre o gozar cibernético em todo sangue magnético a minha carne pós poeira entre a flor e o vazo de barro na home page ou no carro itinerários de riscos na camisinha de vênus vírus h corroendo em vita plus ou na a traição das metáforas sala meu olho gótico tvendo brazilírica lâmpada fala por um tanto ou tanto quase cento e dez em cada fase não sendo assim acaba sendo debaixo da sacada a escada torta pássaro sem teto acima do delírio coração de porco crava no oco da noite a faca cega punhal de cinco estrelas na constelação do cão maior por onde úrsula nua passeia dédala de dandi deusa de dali lua de dadá no coração do pintor sem fronteiras debaixo do pé de abóbora acima do pé de cajá malásia não é aqui espanha não além mar salvador não é dali a mulher que eu quero mesmo é uma dedé que não dadá bia de dante do inferno itamarati itamaracá constelação ursa menor pra dadá meu coração pra dedé não sou cantor quando quero quero mesmo espuma nylon pele tecido isopor eu tenho mais de vinte e cinco mil pessoas sem notícias mais de vinte e cinco mil cartas sem respostas eu tenho um futuro a minha frente um presente as minhas custas e um passado as minhas costas quem é essa coisa que me vira pelo avesso dizia luiza de chicago com saudades do pau brasil dou-te meu corpo em chamas para a paz da tua cama revelou-se em cantos pelo contra da família se existe deus então que salve pai irmão irmã e filha que o incêndio coletivo roeu a carne e o estado morte na linha amarela morte na linha vermelha o rio é um espelho d’água um copo cheio de mágoas com o seu pavio aceso um estopim uma bomba um filme neo-realista nas telas do computador na pele cotidiana entre os túneis e as encostas geográficas das favelas o paraíba morre lentamente enquanto o help não vem vamos passear na floresta fazer amor enquanto é tempo e exista ainda celulose para o livro o corpo e a máquina a engrenagem de carne e osso pulsando em seus órgãos internos ínfimos músculos genitais elétricos e mecanizados por onde as teclas do dia não alcancem as palavras ditas em desalinho ou desacordo no mercado das segundas ou terceiras intenções porque meu coração galopa pelo campo afora no dorso dos poemas na pele das esporas mil novecentos e oitenta e cinco anistia era uma promessa em carne crua olga então me dizia que o magma era osso duro de roer dê um rolê e você vai ouvir apenas quem já dizia na sá ferreira carne de sol em brasa se comia com farinha e sopa de leite manga verde se comia com cachaça na casa de adão pereira nunes que conheci de olho no planalto e um dedo na planície nos relatos de plantão falasse fruta fel falar falando fotos fertilidades fantas a linha reta do poema pessoa em carne viva passeando pelos trópicos equatoriais da zona sul de pernambuco porto das galinhas praia virgem mangues em pólvora não se trata de dizer apenas aquilo no já dito em sagarana a morte em vida é puro dado lance de dedos entre as coxas suor e cio boi pintadinho além da mesa posta logo depois das mutações em pré-juízo fugi pelos fundos por cima dos muros um urubu me testemunha um outro louco me acompanha o poema pode ser um beijo em tua boca carne de maçã em maio um tiro oculto sob o céu aberto estrelas de neon em vênus refletindo pregos no meu peito em cruz onde carinhosamente bebo os olhos teus toda água desse rio beberia eternamente ogum não permitiu que iansã doasse o coração para xangô e deu-se num trovão pela manhã o seu amor oxossi em cada um exu de sangue e ferro então mandou cortar meu coração em mais pedaços assim se fez sem nenhum berro por isso tens-me aqui entre os seus braços paris é um barco bêbado que me transporta áfricas pode ser que essa dor não fique até manhã haja deus e forças por aqui o planalto é nosso sangue índio amor tupi não devemos nada pra ninguém sexta feira uma hora a mais da madrugada vinte e sete de agosto em mil novecentos e quarenta e oito um anjo torto e desbocado cuspiu suas primeiras palavras direto na cara da madrinha o que é que arde em tua boca bia azeite sal pimenta e alho résteas de cebola um cheiro azedo de cozinha paixão tua boca é como a minha
artur gomes

Nenhum comentário:

Postar um comentário