terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

arte da fêmea



A pintura morde minha pele
Desamarra meus medos mórbidos
Acerta na mosca elétrica
Ligada na minha força
Jogando no bicho enjaulado
Dentro do meu chapéu.
Chapéu que o vento leva,
Da cabeça avoada
Do meu corpo de vento
Levantado pelo tempo
Balançando em seus braços
As cinzas dos meus poros
Para a borracha do oásis
Escondida na areia.
Meus dedos murmuram
Invadem as nádegas das telas
Devoram sua brancura
Mergulham nas tintas
Criam vidas sobre elas
Na ânsia da eternidade
Gerada pelo meu vão pagão.
Eu sou o nada mudo
De naufrágio cigano.
Mudo. Mudo meu grito
Mudo meus dedos
No deslizar de uma nova obra
De vida estéril sobre os riscos
Estáticos entre o movimento
Dançado ao som dos ruídos do fim
Entre as carícias famintas
Acasaladas na mão do tempo
Que apertam o calor de minhas brasas
Esculpindo minhas cartas
Sem rótulo e destino
Em mel, pimenta e cinzas

Jantadas pelo mar.



Alcinéia Marcucci

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