domingo, 22 de maio de 2011

Inconsciente

 

O céu derrama lágrimas
Sobre o falatório dos grilos
As curvas exalam perigo
Sobre os corpos dos amantes
Ardendo as brasas do sol
Entre a luz da lua engomada
Nas gomas de São Jorge.
Há um leão gritando
No ouvido do falecido
Há um sonho desaparecido
Na cabeça encabulada
Com a língua hidratada
No colo da Vênus 
Dividida em partes
Entre os faróis 
Escondidos nos lençóis
Amadurecidos do vento
De flan de framboesa
Com gosto da incerteza
Entre a ânsia de ser mulher.
Mulher de mil fetas, faces, facetas
Marias e Tiêtas
Com peitos e tetas
Dentes de crocodilos
Soltando todos os  tiros
Da língua encharcada de mel
Esgrimas e pincel
Na ginga com os dados 
Jogados com os dedos
Molhados por morcegos
céu,
 
Do seu ponto de fuga nômade
Perseguindo pelas vielas
O sabor do  informal.

Alcinéia Marcucci

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