segunda-feira, 10 de outubro de 2011

artur gomes - reVirando a Tropicália


Sesc Rio Apresenta:
Artur Gomes ReVirando a Tropicália
participação especial do Rapper Dizzy Ragga
Dias 26 e 27 outubro – 19:00h
Local: Espaço Plural – Sesc Campos
Janelas abertas número 2

Sim, eu poderia abrir as portas que dão pra dentro 
Percorrer correndo os corredores em silêncio 
Perder as paredes aparentes do edifício 
Penetrar no labirinto
O labirinto de labirintos 
Dentro do apartamento 
Sim, eu poderia procurar por dentro a casa 
Cruzar uma por uma as sete portas, as sete moradas
Na sala receber o beijo frio em minha boca
Beijo de uma deusa morta
Deus morto, 
fêmea de língua gelada Língua gelada como nada
Sim,  eu poderia em cada quarto rever a mobília 
Em cada uma matar um membro da família
Até que a plenitude e a morte coincidissem um dia
 O que aconteceria de qualquer jeito 
Mas eu prefiro abrir as janelas prá que 
entrem todos os insetos

Caetano Veloso

Cogito

eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível

eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora

eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim

eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranquilamente
todas as horas do fim.

Andar Andei


não é o meu país
é uma sombra que pende
concreta
do meu nariz
em linha reta
não é minha cidade
é um sistema que invento
me transforma
e que acrescento
à minha idade
nem é o nosso amor
é a memória que suja
a história
que enferruja
o que passou
não é você
nem sou mais eu
adeus meu bem
(adeus adeus)
você mudou
mudei também
adeus amor

adeus e vem

Mamãe, mamãe não chore 

A vida é assim mesmo eu fui embora 
Mamãe, mamãe não chore 
Eu nunca mais vou voltar por aí 
Mamãe, mamãe não chore 
A vida é assim mesmo eu quero mesmo é isto aqui 
Mamãe, mamãe não chore 
Pegue uns panos pra lavar, leia um romance 
Veja as contas do mercado, pague as prestações 
Ser mãe é desdobrar fibra por fibra os corações dos filhos 
Seja feliz, seja feliz 
Mamãe, mamãe não chore 
Eu quero, eu posso, eu quis, eu fiz, Mamãe, seja feliz 
Mamãe, mamãe não chore 
Não chore nunca mais, não adianta eu tenho um beijo preso na garganta 
Eu tenho um jeito de quem não se espanta (Braço de ouro vale 10 milhões) 
Eu tenho corações fora peito 
Mamãe, não chore, não tem jeito 
Pegue uns panos pra lavar leia um romance 
Leia "Elzira, a morta virgem", "O Grande Industrial" 
Eu por aqui vou indo muito bem , de vez em quando brinco Carnaval 
E vou vivendo assim: felicidade na cidade que eu plantei pra mim 
E que não tem mais fim, não tem mais fim, não tem mais fim

Torquato Neto


funk dance funk

a noite inteira invento joplin na fagulha
jorrando cocker na fornalha
funkrEreção fel fala
fábio parada de Lucas é logo ali
trilhando os trilhos centrais do braZil.
rajadas de sons cortando os ínfimos
poemas sonoros foram feitos para os íntimos
conkretude versus conkrEreção
relâmpagos no coice do coração.
quando ela canta eleonora de lennon
lilibay sequestra a banda no castelo de areia
quando ela toca o esqueleto de Lorca
salta do som em movimento enquanto houver
e federika ensaia o passo que aprendeu com mallarmé
punkrEreção pancada onde estão nossos negrumes?
nunkrEreção negróide nada.
descubro o irado Tião Nunes
para o banquete desta zorra
e vou buscar em Madureira
a Fina Flor do Pau Pereira.
antes que barro vire borra
antes que festa vire forra
antes que marte vire morra
antes que esperma vire porra,
ó baby a vida é gume
ó mather a vida é lume
ó lady a vida é life!




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